A política é um Carnaval

Caso não tenham reparado, estamos na época do Carnaval. Sim, se são mais distraídos podiam ter achado que em Torres Vedras o número de pessoas a assumir a transsexualidade tinha quintuplicado, mas não. É só Carnaval.
Como forma de respeitar o espírito da época, quero aproveitar para dar algumas ideias de máscaras a algumas figuras da nossa política, caso eles precisem de ajuda.

  • António Costa: Refugiado Sírio. António Costa está mortinho por ser vítima de descriminação. Ele tentou usar a carta da cor no Parlamento, mas não resultou especialmente bem. É verdade que o facto de ser Primeiro-Ministro atrapalha um bocadinho que alguém leve a sério as suas dificuldades. Assim era uma boa oportunidade de o conseguir. Não sei se conseguiria o seu objectivo de ser discriminado por Assunção Cristas, mas pelo menos pelo CHEGA ou pelo PNR devia conseguir.
  • Rui Rio: Líder da oposição. As melhores máscaras são aquelas que nos surpreendem totalmente por nunca termos imaginado. Sendo assim, a máscara de Rui Rio é provavelmente a melhor de todas. Esta é uma personagem que Rui Rio nunca foi desde que é líder do PSD, e tenho muitas dúvidas que consiga fazer esse papel, mas era uma boa altura para experimentar.
  • Assunção Cristas: Pobre. Mais uma máscara que será uma total estreia. Tenho muitas dúvidas que Assunção tenha roupa para usar neste disfarce (as botas de montar talvez não fiquem muito bem), mas em principio pode pedir à empregada (ou à senhora lá de casa) que lhe empreste qualquer coisa.
  • Jerónimo de Sousa: Democrata. Ao contrário dos outros casos, Jerónimo já usa esta mesma máscara há décadas. É verdade que em cada discurso do PCP as palavras democracia e liberdade são ditas pelo menos 150 vezes cada, mas mesmo assim a máscara não fica muito bem no líder de um partido em que todas as decisões são tomadas à porta fechada e de braço no ar. A juntar isto, junta-se o apoio incondicional aos regimes da Coreia do Norte, Cuba e Venezuela, e é mesmo melhor Jerónimo continuar a usar a máscara durante mais uns tempos, a ver se pega.
  • Santana Lopes: Político sério. Para representar este papel, Santana pode-se inspirar no seu próprio passado: há de certeza ali umas sólidas 2 semaninhas na sua carreira em que foi levado a sério.
  • André Ventura: Cigano. Eu sei que não é um disfarce particularmente criativo, mas numa época de politicamente correcto e em que se atiram acusações de apropriação cultural com frequência, André Ventura tem uma oportunidade única. É que com as coisas que já disse sobre ciganos, ninguém vai achar esta máscara ofensiva. E assim ele podia aproveitar o disfarce para ir visitar incógnito alguns dos bairros de que ele gosta tanto de falar.
  • Marcelo Rebelo de Sousa: Presidente da República. A par de Rui Rio, a máscara mais difícil. Depois de 3 anos no papel de Melhor Amigo da República, era interessante que pelo menos durante uns dias fizesse de Presidente.
  • Catarina Martins: Francisco Louça de manhã e Carlos César à tarde. Desde que começou a gerigonça, Catarina tem tido um problema. De manhã critica ferozmente a política capitalista e de direita do Governo, à tarde apoia esse mesmo Governo e vota favoravelmente as suas leis. O seu grande problema é que, mesmo com o seu talento para a representação, é difícil parecer coerente quando se interpretam 2 papéis tão diferentes com a mesma cara. Assim, com estas máscaras, ela podia usar caras mais adequadas a cada papel.

E pronto, são as minhas ideias. Espero que alguém ainda vá a tempo de as aproveitar este Carnaval.

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