Rumo às Europeias 2019 – Bloco de Esquerda

Continuamos o percurso até às Eleições Europeias de 26 de Maio, e a paragem de hoje é dedicada ao Bloco de Esquerda.
O Bloco foi fundado em 1999, e resultou da união de vários pequenos partidos e movimentos de esquerda, de matriz marxista ou trotskista. Tem neste momento o terceiro maior grupo parlamentar na Assembleia da República.
A líder do partido é Catarina Martins, actriz de profissão. Provavelmente será essa capacidade que tem permitido ao partido a incrível elasticidade política que revelou desde 2015, como parte integrante da Geringonça.
O BE transformou-se radicalmente de partido de protesto contra todos os partidos do chamado “arco da governação”, num partido que aspira ao poder.
Assim, passámos a ver um Bloco às 2ª, 4ªs e sábados a fazer comícios a criticar o PS, e às 3ª, 5ª e 6ªs a defender as políticas do Governo no Parlamento e a aprovar as leis do PS. Isto é o equivalente político àqueles actores que têm que interpretar um par de gémeos, um mau e outro bom. Da mesma forma que nem todos os actores têm talento para esses papéis, nem todos os líderes partidários têm o talento que Catarina revelou – tanto para a política, como para a representação.
O grande adversário do Bloco nestas eleições é a CDU, com quem tem mantido uma grande rivalidade na última legislatura, ainda que nunca assumida. Essa rivalidade não se revela através de críticas políticas, mas de uma corrida feroz aos créditos pelas políticas do Governo.
Como às 2ªs, 4ªs e sábados o PS é um partido da direita capitalista, qualquer boa medida do Governo só pode ter sido resultado do acordo com o BE. O problema é que a CDU diz exactamente a mesma coisa. Daí termos casos como, por exemplo, a redução dos passes sociais, em que, dependendo da fonte, a paternidade é do PS, da CDU ou do Bloco. O problema é que todos eles foram pais solteiros.
Sendo estas Eleições Europeias em Portugal sobre tudo menos a Europa, naturalmente o grande desafio do Bloco nesta campanha tem sido demonstrar ao País como tudo o que aconteceu de mal nesta legislatura foi culpa do PS ser de direita, e tudo o que de bom aconteceu foi graças ao Bloco ter trazido o PS para a esquerda. Imagino que o orçamento de campanha do Bloco seja todo gasto em pomadas para o pescoço e em Ben-u-ron, que estas posições de certeza que provocam torcicolos e dores de cabeça terríveis.
A cabeça de lista do Bloco às Europeias é Marisa Matias, que repete assim o que ocorreu em 2014. A candidata orgulha-se da quantidade de trabalho produzido no Parlamento Europeu, o que, considerando o quanto o Bloco critica a União Europeia, não tenho a certeza que devesse ser motivo de orgulho. Eu respeitaria mais um partido eurocéptico que se orgulhasse de, em protesto contra as instituições europeias, ter passado 5 anos em Bruxelas sem fazer absolutamente nada.

Marisa é a única mulher a ser cabeça de lista nas 17 candidaturas ao Parlamento Europeu. E a sua participação nos debates com os outros candidatos fez mais para conquistar o voto feminino, do que qualquer declaração que possa ter feito em campanha.
Se havia mulheres que tinham dúvidas de se identificarem com Marisa, após verem os debates, com uma sala cheia de homens constantemente a falarem por cima dela para continuarem a discutir uns com os outros, ficaram com as dúvidas dissipadas.
