Rumo às Europeias 2019 – CDS-PP

O guia sobre os partidos candidatos às Eleições Europeias 2019 continua, desta vez falando do CDS-PP.
É importante começar pelo nome do partido, uma vez que tem mudado ao longo da história. Começou por ser CDS (Centro Democrático Social – Sim, podia perfeitamente ser o nome de um centro de dia), tendo mais tarde começado a ser conhecido como Partido Popular. Curiosamente, o grande impulsionador da nova designação foi o então líder Paulo Portas. Se por acaso tiverem uma explicação para a simpatia de Paulo Portas para com a designação PP, podem deixar nos comentários.
Actualmente, o partido tem o nome oficial de CDS-Partido Popular, o que acaba por ser uma espécie de fusão manhosa entre os nomes anteriores.
O partido define-se como democrata-cristão, no espectro do centro-direita. Apesar da matriz conservadora, o partido tem actualmente como líder uma mulher, Assunção Cristas. Tudo leva a crer que o CDS-PP seja o único partido Português em que as atribuições do secretário-geral incluem limpar a sede e cozinhar para os outros militantes.
O CDS tem uma relação conturbada com a União Europeia. Enquanto os outros partidos geralmente se dividem entre europeístas ou eurocépticos, o CDS já passou pelas fases de “eurocalmo” e “eurorealista”. Actualmente a posição do partido pode-se definir melhor como “euro-sim-mas-deixa-lá-ver-primeiro-qual-é-a-posição-mais-popular”.
O cabeça de lista do CDS a estas eleições é Nuno Melo, atual eurodeputado. Nuno Melo é neste momento um dos piores eurodeputados portugueses segundo o MEP Ranking, um ranking independente que avalia o trabalho no Parlamento Europeu. Melo reagiu a essa má classificação dizendo que o ranking não vale nada e deve ser manipulado pela Rússia. Claro, toda a gente sabe da ameaça que Nuno Melo representa para Putin na sua senda de maior influência internacional.
No fundo é a mesma teoria futebolística apresentada pelo CDS sempre que há más sondagens. Se o CDS aparece mal classificado nas sondagens, é porque elas estão compradas.
O candidato Nuno Melo, em campanha, segue muito a receita popularizada por Paulo Portas de visitar muitas feiras e mercados. Se Portas era conhecido como “Paulinho das Feiras”, Nuno Melo podia ser o “Melinho dos Mercados”. Até soa melhor e tudo.
Nuno Melo, como quase todos os candidatos, diz-se preocupado com o avanço dos partidos radicais na Europa. No entanto, tem uma pequena dificuldade nesse combate – não os sabe reconhecer quando os vê à frente, como se verifica quando diz que o Vox não é de extrema-direita.
A campanha das Europeias começou com o cartaz que podem ver acima – “Portugal. A Europa é Aqui” é a mensagem. Pode parecer algo simplista, mas se pensarmos bem, é uma mensagem com várias camadas.
Por um lado, começa por apelar aos nacionalistas, ao referir o seu conteúdo programático preferido (Portugal). Ao mesmo tempo, funciona com uma mensagem subtil para os imigrantes no nosso país, que possam estar confusos – atenção que estão em Portugal; se queriam ir para a Alemanha, ainda têm muito que andar!
Depois a segunda parte do cartaz, acaba por ser uma mensagem inovadora contra a abstenção. O CDS parece considerar que os seus eleitores não votam muito nas Eleições Europeias por não se terem apercebido que vivem na Europa. Daí a mensagem do cartaz: “Eleitores do CDS, podem não saber, mas Portugal pertence à Europa.”
No combate à abstenção, nada como uma pequenina lição de geografia.
