José Diogo Quintela e o Titanic

Podem não ter reparado, mas José Diogo Quintela está vivo. Voltou à vida recentemente, não só voltando à televisão, como passando a escrever no Observador. E lendo a sua mais recente crónica (se não leram, têm aqui o link), tudo indica que esteve fechado num bunker durante uns 30 anos, de onde aparentemente apenas saiu esta semana. Chegado cá fora, alguém lhe falou sobre as alterações climáticas, e José Diogo reagiu de forma perfeitamente compreensível para quem esteve fechado numa cave durante 30 anos: “Mas que estupidez!”

José Diogo apoia-se em vários argumentos bastante válidos para justificar a sua desconfiança deste tema que aparentemente descobriu agora. Um deles é muito semelhante ao usado em igrejas pelo mundo fora. “Mas quem somos nós, humanos, para achar que temos efeito na Natureza?”, resumidamente. Claro que sabemos que só Deus Nosso Senhor é que pode interferir na Natureza. Esta ideia de que as acções humanas podem interferir na Natureza é bem estúpida, como José Diogo refere. Onde já se viu, sei lá, a acção de seres humanos colocar animais em risco de extinção? Se o panda está em risco de extinção, é porque a Mãe Natureza não gosta de animais fofinhos e está a destruir o seu habitat. E que arrogância da nossa parte achar que o facto de andarmos a mandar chumbos contra rinocerontes é de alguma forma responsável pelo seu quase desaparecimento!

Outra justificação muito pertinente é a de que se o clima sempre foi influenciado pelo Sol, nuvens, atmosfera, etc, porque haveria agora de mudar? Aqui José Diogo demonstra um grande domínio da sabedoria popular, porque a minha avó havia de concordar com ele. Será possível que a influência de factores externos novos pode afectar um sistema que sempre funcionou de determinada maneira? Recorrendo às metáforas tão apreciadas pelo sr. Quintela, vou tentar demonstrar.
Ora vejamos o futebol, por exemplo. O resultado de um jogo sempre foi influenciado por vários factores: o talento dos jogadores, a condição física, a táctica, as condições atmosféricas, pela arbitragem, etc. Agora imaginemos que alguém punha uma barreira de metal à frente da baliza. Naturalmente que este novo factor não irá influenciar de forma nenhuma o resultado, que durante mais de 100 anos funcionou segundo os mesmos factores.

José Diogo acredita também que o Acordo de Paris nos vai obrigar a proibir os combustíveis fósseis e deixar de usar ventoinhas, ar condicionado, carros, etc. Se ao menos houvesse qualquer tecnologia futurista que nos permitisse usar um carro sem recorrer a gasolina!! Mas não, se aumentar o preço da gasolina vamos todos ter que passar a andar a pé.
O factor económico do aumento dos preços como forma de incentivar a inovação é um fenómeno aparentemente estranho para o sr. Quintela. Mais uma vez, vou tentar usar uma metáfora que ele compreenda.
Imaginemos que o Estado gostaria que, por algum motivo, se deixasse de usar farinha de trigo. Em vez de proibir, simplesmente aplica uma taxa considerável. Será que a Padaria Portuguesa teria que fechar por já não conseguir fazer pão e bolos? Ou será que os seus responsáveis encontrariam farinhas alternativas (e mais baratas)?

Resumindo, José Diogo acredita que o clima da Terra é como o Titanic. A sua velocidade depende de muitos factores: do estado do mar, da condição dos motores, da sua potência, da visibilidade, da altura do dia, peso da carga, do número de passageiros, da qualidade do capitão e da tripulação. E que nem que o Titanic se espete contra um iceberg isso vai mudar algum dia!

One comment on “José Diogo Quintela e o Titanic”

  1. palmira diz:

    Ultimamente este Sr irrita-me tanto que até a publicidade que ele faz para vender uns certos óculos me faz mudar de canal, mas não sabia que numa pessoa que não tem grande tamanho cabia tanta estupidez. Coitado deste planeta que bem se esforça para sobreviver à tremenda falta de neurónios que alguns inqualificáveis tem

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